Senti
a necessidade de compartilhar aqui meus sentimentos em relação ao meu parto. E te agradecer por ser esse profissional tão incrível e por ter me tratado com tanta humanidade da gestação ao parto.
Confesso
que não foi fácil tomar uma decisão e entrar em seu consultório, mesmo com
indicações.
Não
tenho bons sentimentos em relação à classe médica. Sei da raridade de um médico
que cuida e acompanha um processo natural, como o parto, e instintivo, como
cuidar da cria.
Quando
pensava em médico obstetra pensava, primeiro, no terrorismo do parto normal que
levaria nossos filhos a terem seqüelas permanentes (isso se saíssem vivos!) se
não fosse a salvadora cesariana. Pensava nas inúmeras desculpas esfarrapadas que
poderiam usar para me impedir de parir... Por outro lado, caso passasse na triagem e me
permitissem parir, pensava na deturpação do parto: tricotomia, enema, bolsa
estourada com agulha de crochê, anestesia, episiotomia, litotomia, kristeller,
estribos e, finalmente, fórceps. Fora os incômodos toques do pré-natal.
Infelizmente,
a minha visão do médico obstetra padrão é essa... e não acho que esteja errada.
Se eu fosse religiosa diria que uma mulher que delega ao médico toda a
responsabilidade e protagonismo do seu parto estaria acreditando mais no médico
que em Deus. E o mesmo diria ao médico que admite que isto aconteça, ele pensa
ser melhor que Deus.
O
problema maior é que no consultório os médicos falam dos benefícios da cesárea
e dos malefícios ou perigos do parto normal. Mas raramente o contrário... os
benefícios do parto normal e os malefícios e riscos reais da cesariana. Isso
acaba pesando pro lado da cesariana...
Dos
pediatras não tenho melhores sentimentos... bebês nascendo e sendo levados imediatamente
para longe da mãe, como se fossem propriedade do hospital, tomando os
desnecessários leite nã e soro glicosado antes mesmo de mamarem o alentador
leite materno no aconchego da pele da mãe. Dificultam, dessa forma, a pega do
peito e depois ainda se justificam, absurdamente, quando o bebê não mama
direito, que a mãe não é capaz de amamentar, que o leite é fraco, que o leite não
é suficiente, dissuadindo mães de fazerem o que é melhor para os filhos. E me
revolta saber que com o apoio de um bom profissional até mães adotivas
amamentam.
Diante
disso, confesso que durante a minha gravidez não tinha a intenção de pisar em
um consultório médico. Eu deixaria acontecer...
Somente por pressão da família não tive um parto domiciliar desassistido. Marquei a consulta e fuide pergunta em pergunta, sempre desconfiada... no
início bastante constrangida... por estar ali mais pra pegar guias de exames e sem confiar. Mas no fim, inesperadamente, mais tranqüila e
convencida de que meu parto normal poderia sim acontecer em Maceió. Seria
possível parir com a presença do pai do meu filho, coisa que não permitiram no
meu primeiro parto, já que a sala de parto estava tão cheia de estudantes que
meu marido não cabia e, bem... eu era o objeto e meu marido... ah... o hospital
não tinha nenhum interesse nele.
Enfim...
fui pro hospital disposta a sair correndo caso me visse em vias de ir pra uma
cesariana desnecessária.
Só
tenho realmente a agradecer Dr. Antônio, pois não precisei sair correndo.
Na
verdade escrevo para tentar expressar o meu mais profundo agradecimento pelo
maravilhoso parto normal do meu segundo filho, Lucas, embora,
-
meu filhote estivesse com uma circular de cordão;
-
meu bebê não estivesse encaixado
- embora pudesse inventar ainda mais alguma desculpa pra me levar pra mesa de cirurgia.
- embora pudesse inventar ainda mais alguma desculpa pra me levar pra mesa de cirurgia.
Gostaria
de agradecer por ter acompanhado o meu pré-natal com tanto respeito, sem toques no pré natal e com apenas o toque de admissão, no parto. Obrigada por ter acompanhado o meu parto sem enema, tricotomia, estribos, sem romper a minha bolsa, sem episiotomia, sem puxos dirigidos. Obrigada por me oferecer água e algo pra comer (que não deu tempo, mas valeu a intenção). Obrigada por inclinar a cama pra mim, quando pedi, e também por me lembrar que eu não deveria empurrar a minha barriga (eu mesma empurrava, em memória do meu primeiro parto). Obrigada por permitir o acesso ao meu marido, respeitando o momento do rompimento da bolsa
e permitindo que meu filhote se encaixasse na hora dele. O tratamento e a forma
como fui recebida e conduzida me tranqüilizaram de tal forma que pude me
permitir simplesmente esperar, sem tensão. Agradeço por ter respeitado a minha
fisiologia e a minha dor e por me dar segurança de que acompanharia meu parto sem
intervenções. Agradeço as palavras mansas me pedindo pra respirar com calma e
do jeito certo, que isso faria bem ao meu bebê. Agradeço por me lembrar de descansar a cada contração. Agradeço por me acalmar ao
dizer pra enfermeira que com a dor que eu estava sentindo era normal que a
pressão estivesse alta. Agradeço por me oferecer a banheira de hidromassagem,
isso me deixou segura de que tinha liberdade para escolher e decidir o que era
melhor pra mim naquele momento. Agradeço a delicadeza com que conduziu o parto
e acalmou o meu marido. Agradeço a massagem e a bolsa de água quente que foi o
que realmente aliviou as minhas dores, tornando o trabalho de parto
praticamente indolor. E agradeço por ter acompanhado o parto com segurança, com
acompanhamento de batimentos cardíacos.
Agradeço
muito por ter sido delicado comigo no meu momento de fragilidade, por garantir
meu parto normal respeitoso do início ao fim. Por ser um médico digno de ser
chamado de médico humanizado.
Agradeço,
principalmente, por permitir que meu filho mamasse antes mesmo de cortar o
cordão umbilical, o que contribuiu, certamente, para que ele mamasse tão
direitinho, sem tanta complicação como foi com meu primeiro filho, que só
queria dormir, após ser afastado de mim e de provavelmente tomar nã e soro
glicosado.
Você
diria “não fiz mais que a minha obrigação”... mas eu digo que não fez menos e
com um grande diferencial, com respeito à fisiologia, ética profissional e,
principalmente, com humanização.
Não
sei como teria sido se meu trabalho de parto fosse mais longo, mas acredito que
seria tão bem conduzido como foi com o meu rápido trabalho de parto.
Em
tão poucas consultas confesso que sinto um respeito enorme pelo profissional
que é.
Estará
sempre em minhas lembranças com muito carinho. Será sempre o personagem
principal na história do maravilhoso nascimento do Lucas que sempre contarei “Dr.
Antônio Sérgio Lima de Souza, ético, profissional, humano, que me permitiu ser
protagonista do meu parto e ser respeitada em todo esse processo”.
Muito
obrigada, sempre.
Milena
Caramori.
Oi Milena
ResponderExcluirQue hospital você teve o seu bebê em Maceió? Ele ficou o tempo todo com você?
Você contratou os serviços de uma doula? Bjs Fernanda
Oi Fernanda, foi no Hospital da UNIMED. Não tive doula, mas recomendo que tenha uma. No meu caso eu já havia tido um parto normal... isso facilita bastante, não só por ter vivido o processo, mas também porque o médico já se tranquiliza com isso. O bebê não saiu do PPP (sala de pré parto, parto e pós parto). Porém, não consegui livrá-lo de todas as intervenções. Ele não foi aspirado, nem recebeu sonda anal e gástrica. Mas o colírio de nitrato de prata foi aplicado (ele teve conjutivite química por mais de 6 meses, em função do colírio... desnecessário por sinal, pois eu não tinha clamídia nem gonorréia)... e recebeu também a vitamina K injetável. Aqui em Maceió há hoje, também a opção de ter parto domiciliar. Eu tive um, depois desse, com acompanhamento das enfermeiras obstetras Tatianne Frank e Juliana Oliveira. Você conhece o grupo Roda Gestante? Lá você pode conhecer outras mulheres que tiveram seu parto respeitado.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirLívia, vc pode ter maiores informações no grupo Roda gestante (no facebook). Sim, foram 3 partos normais. 1 hospitalar padrão, um hospitalar humanizado e o último foi em casa. abs!
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