quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Meu segundo parto normal - Relato de parto/ Nascimento humanizado do Lucas

Meu pré-natal foi iniciado em Maceió aos 6 meses de gravidez, já que eu não estava conseguindo encontrar um médico adepto do parto normal.

No pré-natal eu era pesada, medida e não tinha nada daqueles exames de toque horríveis do SUS. Apalpava a minha barriga e via a posição do bebê e também ouvia os batimentos cardíacos.

O meu segundo parto normal foi particular e teve planejamento junto com o médico, eu falei que queria:
- acompanhamento do meu marido
- parto normal sem nenhuma intervenção
- sem ruptura da bolsa
- sem episiotomia
- sem anestesia
- em posição inclinada
- sem estribos
- corte do cordão somente depois de parar de pulsar
- amamentar meu filho logo que nascesse

Assim foi feito e meu filho nasceu de parto normal desmistificando mais uma vez o que muitos médicos dizem pra convencer mães desinformadas a fazerem cesariana:
- com 41 semanas de gravidez (pensei que fosse chegar às 42, como na primeira gravidez...)
- com o cordão enrolado (visto no ultrasom)
- alto (ainda não estava encaixado, fiquei rebolando numa bola de pilates até ele encaixar)
- e embora a pressão ter aumentado consideravelmente na hora do trabalho de parto (por causa da dor)

O médico acompanhou os batimentos cardíacos do bebê durante o parto.
Detalhes: fui pro hospital quando as contrações estavam vindo de 4 em 4 minutos, lá esperei a bolsa estourar sentada rebolando em uma bola de pilates. A dor estava grande, mas foi amenizada com massagem e bolsa de água quente na região lombar. Fiquei na bola até a bolsa estourar e o bebê encaixar. Quando o bebê encaixou fui pra cama de parto, que ficou inclinada, como pedi, e o meu filhote nasceu. Nasceu fazendo xixi e foi logo pro meu colo. Foi amamentado antes mesmo de o cordão umbilical ser cortado. O médico esperou o cordão parar de pulsar e o cortou. Diferentemente do meu primeiro filho, que foi afastado de mim antes de ser amamentado e custou pra pegar o peito, o meu segundo pegou o peito imediatamente, mamou direitinho.

Infelizmente a pediatra logo o pegou pra fazer a limpeza e pingar o tal colírio de nitrato de trata (que na próxima não deixo pingar).

Após o parto tomei banho sozinha, vesti roupa, me arrumei e peguei meu filho no colo, passeei com ele pela sala, cantando uma musiquinha e fiquei ansiosa por voltar pra casa e mostrar o meu filhinho pro meu filhão, mas tive que ficar no hospital porque diz que o procedimento era o bebê ficar em observação pro 24 horas.

Depois do meu segundo parto foi que vi o quanto eu era ingênua. O meu primeiro parto foi ótimo, sim, foi normal!! Mas o meu segundo parto foi maravilhoso, delicioso!!

É importante ressaltar que o médico foi escolhido a dedo, já que amaioria sempre inventa uma razão pra fazer ceárea na mulher. E só continuei com ele porque REALMENTE senti segurança de que ele era adepto do parto normal.

Só que meu próximo parto quero que seja domiciliar. Quero que meus filhos participem da espera e vejam o irmão logo após o nascimento.

PLANO DE PARTO – Nascimento do meu terceiro filho: João Davi


PLANO DE PARTO – JOÃO DAVI
Data provável de parto: 25 de maio de 2013
Contando o erro do ultrasom João Davi poderia nascer entre dia 04/maio e 15/junho)


1. INTRODUÇÃO
Este plano de parto foi concebido com o objetivo de nortear as pessoas para que possam contribuir para que o nascimento do João Davi seja delicioso, em um lindo parto domiciliar.
Esta escolha se deu em função de considerar injustificável, tendo uma gravidez de baixo risco, sair para o hospital em um momento em que o meu maior desejo será de ficar quietinha em meu ninho. Alem disso, há que se considerar que o atendimento hospitalar está longe de oferecer um atendimento humanizado para a parturiente e recém-nascido e que, em casa, evita-se confrontos para a não realização de procedimentos desnecessários (padrão em hospitais) em um momento em que tudo o que mais queremos é tranqüilidade.   
Passei pela experiência de dois partos anteriores, o do Pedro (há 9 anos atrás) e o do Lucas (há 1 ano e meio).
No parto do Pedro sofri várias intervenções desnecessárias que não desejo que aconteçam novamente (rompimento artificial da bolsa, litotomia, kristeller, pernas em estribos, episiotomia, pressão para parir em 15 minutos) e outras que não sofri, mas não quero que aconteçam (toques desnecessários, amniotomia, tricotomia, enema, anestesia, ocitocina). O cordão umbilical foi cortado imediatamente após o nascimento do Pedro e ele foi afastado imediatamente após o parto para realização de procedimentos totalmente dispensáveis, como: aspiração, e exploração nasal, anal e oral com sondas, aplicação de vitamina K injetável e colírio de nitrato de prata. Foi pesado e medido longe de mim. Eu ouvia o choro dele mas não o via, estava deitada e não me deixaram levantar (disseram que eu estava com hemorragia. Após a realização destes procedimentos Pedro foi levado para a incubadora para que eu pudesse dormir já que, segundo a enfermeira “eu não dormiria o resto da vida”. Ao invés do leite materno, Pedro recebeu leite nã e soro glicosado logo após o nascimento, o que dificultou bastante a pega no peito. Meu corpo foi lesado sem a minha permissão e meu filho foi tratado como se não fosse meu. Eu não estava interessada em saber se não dormiria o resto da vida, eu só queria que, após 9 meses de espera, meu filho estivesse comigo, junto com a mãe que ele conhecia. Em função da icterícia tivemos que ficar 5 dias no hospital.
O parto do Lucas foi tranqüilo, sem intervenções. Ele mamava enquanto era feita a dequitação da placenta e enquanto o cordão era cortado. Estava clamo, com os olhinhos abertos olhando pra mim. Porém, assim que o cordão umbilical foi cortado e ele saiu do meu colo começou a chorar. Foi levado (porém sem que eu o perdesse de vista) para receber: vitamina K injetável e colírio de nitrato de prata, aspiração. Segundo meu marido não foi feita exploração anal, nasal e oral com sondas, porém, no prontuário consta que sim. Foi pesado e medido. O banho dado nele foi aquele padrão, enfermeira esfregando e bebê chorando. Tomei banho e depois de todos os procedimentos ele veio para o meu colo. Em função da aplicação do colírio (totalmente desnecessário) Lucas teve conjutivite química por aproximadamente 4 meses.
Embora o parto do Lucas tenha sido tranqüilo, quase indolor, conseguindo falar tranqüilamente e totalmente consciente do que estava acontecendo, tive, no parto do Pedro, muitas dificuldades de comunicação: não consegui me opor a absolutamente nada do que me foi feito, estava praticamente inconsciente, com a respiração totalmente descontrolada, não conseguia falar direito.
Quanto aos procedimentos com o bebê. No nascimento do Pedro eu não tinha a mínima noção do que era realizado e no nascimento do Lucas eu não tinha segurança para negar que fossem realizados, pois não sabia exatamente a função de cada um deles.
Desta forma tenho a consciência de que posso não conseguir me comunicar em trabalho de parto. Assim, elaborei este plano de parto, que tentei tornar simples e fácil de ser lido, para ser assimilado rapidamente e executado da forma como planejei. Este plano de parto, assim como as pessoas envolvidas no meu parto serão a minha voz e deixo aqui descritos os procedimentos que NÃO PERMITO que sejam realizados em MEU corpo e em MEU filho.  

2. PESSOAS QUE PODERÃO ESTAR PRESENTES DURANTE O PARTO, TRABALHO DE PARTO E PÓS-PARTO
- Suzana (minha mãe): ficará responsável pela organização da casa e comida;
- Cecília (minha sogra): ficará responsável pelo cuidado com Lucas e Pedro e pelas atividades designadas à minha mãe (caso ela ainda não tenha chegado de Minas);
- Danylo (marido): ficará responsável pela compra de algo que possa ser necessário e por ajudar com as crianças.  Espero que ele contribua com carinho, massagem, incentivo, apoio físico e emocional;
- Wanessa (amiga): fará a filmagem e fotos;
- Andrezza: advogará como doula em meu favor, caso seja necessário;
- EO Juliana: será meu apoio e acompanhará a evolução do trabalho de parto até a chegada da EO Tatianne e realizará os procedimentos necessários para a realização de parto e atendimento neo-natal caso Tatianne não chegue a tempo;
- EO Tatianne: nos acompanhará na evolução do TP, parto e primeiros cuidados com a João Davi.
- Pedro e Lucas (irmãos): terão participação especial no nascimento do João Davi. Terão circulação livre, conforme for a vontade deles. Somente peço que, caso observem que ambos estejam me gerando alguma tensão (Lucas subindo em cima de mim, por exemplo ou brigando com Pedro), que os retirem de perto, o distraiam com piscina, passeio, livrinhos... Ao Pedro, peço que respondam sinceramente e com tranquilidade às perguntas que ele fizer, que imagino, serão muitas.

- Pedro: ficará responsável por realizar as ligações avisando que mamãe está em trabalho de parto e não consegue falar direito, caso estejamos sozinhos em casa. As ligações deverão ser realizadas na seguinte ordem:
- Tatianne (EO Recife): 031 (81) 3043-1663 ou 031 (81) 9766-5123
- Juliana (EO Maceió): 9178-9600 ou 8843-8820
- Dr. Antônio Sérgio (GO): 9981-3863 ou 9908-5387 ou 3221-6205
- Danylo (marido): 9803-4699 ou 3218-7264
- Cecília (sogra): 8813-3258 ou 9148-2050
- Wanessa (amiga/filmagem): 9309-8197
- Andrezza (amiga/doula): 9103-7659 ou 9658-1661
- Portaria: 3324-4931 (autorizar a entrada de todas as pessoas que estão nesta lista)

O parto é um evento em que a mulher necessita de calma e privacidade, nesse sentido espero que nossas acompanhantes contribuam para garantir este ambiente, resguardando a nossa privacidade e principalmente, a sensação de tranquilidade do momento.
Minha mãe não está totalmente convencida de que eu devo ter um PD, porisso ela deve ser convidada a sair de casa pra dar uma volta, caso ela se sinta constrangida ou ansiosa com o processo, o que certamente ela vai aceitar de bom grado. Porém, peço que deixem claro a ela que eu quero que meus filhos participem do processo, caso queiram. Porisso, ela não deverá insistir para que eles saiam se houver uma vontade mínima deles em ficar.

2. PLANO DE PARTO DOMICILIAR                                       
2.1. TRABALHO DE PARTO E PARTO
Ambiente: nos últimos tempos tenho andado muito sensível a barulhos, porisso peço que mantenham o ambiente silencioso (som e, principalmente, televisão desligados). Peço que falem em volume baixo ou normal (isso especialmente para Pedro e Danylo, que falam muito alto).
Para alívio das dores: bola de pilates, bolsa de água quente e massagem na lombar funcionaram bem no último parto. Pode ser que neste também sejam eficientes. Gostaria de experimentar a piscininha.
Posições e liberdade de movimento durante o TP: Durante o TP desejo ter liberdade de movimentos e posições que podem ser bastante variáveis, conforme o que eu estiver sentindo no momento. Não sei se o chuveiro ou a piscininha me serão confortáveis, mas peço que os ofereça para que eu acene com a cabeça o SIM ou NÂO, caso esteja com dificuldades para falar.
Realização de toque vaginal: A realização de toque pode ser um subsídio importante para avaliar o início e progressão do TP, mas que pode ser incômodo, portanto gostaria que fosse realizado apenas quando extremamente necessário.
Bebidas e alimentos à vontade: Os alimentos e bebidas deverão ser proporcionados, quando solicitados. Provavelmente não vou querer comer nada durante o trabalho de parto, mas pode ser que eu queira tomar suco de laranja ou chá de hortelã com gengibre (pois foi o que tive vontade nos TPs anteriores). Mas depois do nascimento estarei esfomeada, porisso peço que a minha mãe ou sogra deixe algo substancioso e de sal (que poderia ser uma sopa) já preparado para o pós-parto.
Posição e local para expulsão confortável: tenho duas posições preferenciais para o expulsivo: (1) deitada com um travesseiro entre as pernas, abraçada a outro e outro abaixo da cabeça; (2) deitada de costas, reclinada, sem portanto ficar de cócoras. Estas foram as posições que me pareceram mais confortáveis nos meus dois últimos partos. Porém, pode ser que no parto do João Davi esteja mais confortável em outra posição, pode ser que eu me sinta confortável na piscina, no chuveiro ou em outra posição diferente. Peço que me lembrem de respirar corretamente, para não respirar como cachorrinho.
Monitoramento fetal: Desejo que seja realizado o monitoramento fetal através de BCF, sempre que a equipe considerar necessário e/ou for solicitado a fim de proporcionar segurança e tranquilidade.
Episiotomia: O procedimento deverá ser realizado apenas se necessário, no caso de sofrimento fetal ou outra intercorrência grave que justifique o procedimento e deverá ser acordada comigo.
Assim que João Davi nascer quero que ele venha para o meu colo para ser amamentado.
Clampeamento do cordão: Apenas depois que parar de pulsar. Assim ele poderá receber oxigênio pelo cordão umbilical enquanto seu sistema respiratório começa a funcionar.
Placenta: Aguardar a expulsão espontânea da placenta com auxílio da amamentação.

2.2. ATENDIMENTO NEONATAL
Desejo que todos os procedimentos realizados com o João Davi sejam realizados em meu colo.
Aspiração: não autorizo que seja feita aspiração nasal e/ou gástrica. Não quero que seja feita a exploração nasal, oral ou anal por sondas.
Vitamina K: Deverá ser administrada via oral com o bebê junto da mãe.
Nitrato de prata: Não autorizo o uso de colírio ou nitrato de prata (créde), uma vez que não tenho sífilis ou gonorréia, o que foi confirmado no meu pré-natal e que estes produtos podem prejudicar a formação do vínculo ou até mesmo causar conjuntivite química.
Soro glicosado e leite artifical: Não autorizo a administração de soro glicosado ou leite artificial, peço que seja estimulado somente o aleitamento, que é o melhor alimento a ser oferecido ao meu filho.
Banho: quero ter o prazer de dar o primeiro banho do João Davi. Porém, uma limpeza prévia e com delicadeza pode ser realizada em meu colo.
Visitação à vontade do irmão: Os irmãos terão acesso livre durante o TP, com o auxílio das acompanhantes. Este acesso ajudará os irmãos a perceberem que o nascimento se trata de um processo natural e que está tudo bem, que não há ninguém doente, além de contribuir na aceitação do novo bebê.

3. INTERCORRÊNCIAS
Bolsa rota: se for possível desejo permanecer em casa, conforme avaliação da EO Tatianne.
Bebê pélvico: se João Davi resolver ficar pélvico no último minuto do segundo tempo, desejo permanecer em casa para que seja realizado parto pélvico, conforme avaliação da EO Tatianne.
Mecônio: se houver presença de mecônio, enquanto os BCFs forem tranquilizadores, desejo permanecer em casa, conforme avaliação da EO Tatianne.
Distócia: desejo permanecer em casa, caso EO Tatianne se sinta segura para realizar as manobras para correção de distócia.
TP estacionar: monitorar BCF e se estiver ok, esperar.

Transferência para hospital: caso ocorra alguma intercorrência que justifique a transferência para hospital, a mesma deverá ser feita para o Hospital da UNIMED, (em caso de intercorrência simples), ou para o Hospital Universitário (HU), (em caso de intercorrência que exija maior urgência). Neste caso o Dr. Antônio Sérgio Lima de Souza deverá ser informado imediatamente para que se prepare para me atender ou para que comunique alguém do HU que me atenda.
Peço que a EO Tatianne ou EO Juliana (se Tatianne não estiver) sejam minhas acompanhantes caso haja necessidade de remoção para o hospital. Desejo ter a Participação de meu marido como acompanhante, como garante a lei federal. Caso a equipe resista em garantir este direito poderá ser feito um Boletim de Ocorrência pelo pai.
Em caso de parto normal hospitalar: peço que meu acompanhante lembre a equipe (caso seja necessário) que o corpo ali presente é meu e não do hospital e, porisso, as intervenções desnecessárias não deverão acontecer por simples cumprimento de protocolo do hospital. Intervenções poderão ocorrer, desde que sejam justificadas, informadas e autorizadas. Caso não haja nenhuma complicação comigo ou meu filho, peço que deixem preparado o termo de responsabilidade para que eu o assine para ir embora pra casa imediatamente após o parto.
Em caso de cesárea:
Desejo ser informada da razão exata por que estarei indo pra cesárea, com todas as explicações científicas e práticas. Desejo ser informada de cada procedimento associado à cesárea, além de saber passo a passo o que está acontecendo, nos permitindo maior tranquilidade e participação no processo. Peço que seja conferido se a anestesia fez efeito antes de realizar qualquer corte.
Caso seja necessária uma cesárea, não quero ser sedada, pois quero assistir ao nascimento por abaixamento dos campos e desejo estar alerta no pós-parto. Após o nascimento, desejo que, se João Davi estiver bem, seja colocado em meu peito e que minhas mãos estejam livres para segurá-lo, gostaria de permanecer com o bebê no contato pele a pele enquanto estiver na sala de cirurgia sendo costurada.
Atendimento neo-natal: de antemão deixo claro que o atendimento neonatal deve seguir o item 2.2 deste plano de parto. Peço que todos os procedimentos a serem realizados com meu filho me sejam comunicados para que eu possa aceitá-los ou não (mediante assinatura de termo de responsabilidade). Lembro ao pediatra responsável que o meu filho não é propriedade do hospital e, portanto, nenhum procedimento deverá ser realizado sem o meu conhecimento e autorização.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esperamos que este material auxilie e se transforme nas mãos de outros casais, gestantes, mães e pessoas que se interessem.
Em tempos da ofensiva contestação da autonomia e poder de parir das mulheres, consideramos o Plano uma ferramenta importante para dialogar e empoderá-las. Não estamos negando o direito à assistência quando defendemos o parto natural ou domiciliar, como erroneamente afirmam alguns setores representativos de classe da saúde, mas sim defendendo o direito da mulher decidir onde, como e com quem parir, pois o protagonismo é da mulher.
Não menos importante, também queremos garantir o vínculo precoce mãe-bebê, pois as primeiras horas após o parto são muito importantes no desenvolvimento da ligação afetiva entre os pais e o bebê.