PLANO
DE PARTO – JOÃO DAVI
Data
provável de parto: 25 de maio de 2013
Contando
o erro do ultrasom João Davi poderia nascer entre dia 04/maio e 15/junho)
1. INTRODUÇÃO
Este plano de parto foi concebido com o objetivo de nortear as pessoas
para que possam contribuir para que o nascimento do João Davi seja delicioso,
em um lindo parto domiciliar.
Esta escolha se deu em função de considerar injustificável, tendo uma
gravidez de baixo risco, sair para o hospital em um momento em que o meu maior
desejo será de ficar quietinha em meu ninho. Alem disso, há que se considerar
que o atendimento hospitalar está longe de oferecer um atendimento humanizado
para a parturiente e recém-nascido e que, em casa, evita-se confrontos para a
não realização de procedimentos desnecessários (padrão em hospitais) em um
momento em que tudo o que mais queremos é tranqüilidade.
Passei pela experiência de dois partos anteriores, o do Pedro (há 9 anos
atrás) e o do Lucas (há 1 ano e meio).
No parto do Pedro sofri várias intervenções desnecessárias que não
desejo que aconteçam novamente (rompimento artificial da bolsa, litotomia,
kristeller, pernas em estribos, episiotomia, pressão para parir em 15 minutos)
e outras que não sofri, mas não quero que aconteçam (toques desnecessários,
amniotomia, tricotomia, enema, anestesia, ocitocina). O cordão umbilical foi
cortado imediatamente após o nascimento do Pedro e ele foi afastado imediatamente após o parto
para realização de procedimentos totalmente dispensáveis, como: aspiração, e
exploração nasal, anal e oral com sondas, aplicação de vitamina K injetável e
colírio de nitrato de prata. Foi pesado e medido longe de mim. Eu ouvia o choro
dele mas não o via, estava deitada e não me deixaram levantar (disseram que eu
estava com hemorragia. Após a realização destes procedimentos Pedro foi levado para a
incubadora para que eu pudesse dormir já que, segundo a enfermeira “eu não
dormiria o resto da vida”. Ao invés do leite materno, Pedro recebeu leite nã e
soro glicosado logo após o nascimento, o que dificultou bastante a pega no
peito. Meu corpo foi lesado sem a minha permissão e meu filho foi tratado como
se não fosse meu. Eu não estava interessada em saber se não dormiria o resto da
vida, eu só queria que, após 9 meses de espera, meu filho estivesse comigo,
junto com a mãe que ele conhecia. Em função da icterícia tivemos que ficar 5
dias no hospital.
O parto do Lucas foi tranqüilo, sem intervenções. Ele mamava enquanto
era feita a dequitação da placenta e enquanto o cordão era cortado. Estava
clamo, com os olhinhos abertos olhando pra mim. Porém, assim que o cordão
umbilical foi cortado e ele saiu do meu colo começou a chorar. Foi levado
(porém sem que eu o perdesse de vista) para receber: vitamina K injetável e
colírio de nitrato de prata, aspiração. Segundo meu marido não foi feita exploração
anal, nasal e oral com sondas, porém, no prontuário consta que sim. Foi pesado
e medido. O banho dado nele foi aquele padrão, enfermeira esfregando e bebê
chorando. Tomei banho e depois de todos os procedimentos ele veio para o meu
colo. Em função da aplicação do colírio (totalmente desnecessário) Lucas teve
conjutivite química por aproximadamente 4 meses.
Embora o parto do Lucas tenha sido tranqüilo, quase indolor, conseguindo
falar tranqüilamente e totalmente consciente do que estava acontecendo, tive,
no parto do Pedro, muitas dificuldades de comunicação: não consegui me opor a
absolutamente nada do que me foi feito, estava praticamente inconsciente, com a
respiração totalmente descontrolada, não conseguia falar direito.
Quanto aos procedimentos com o bebê. No nascimento do Pedro eu não tinha
a mínima noção do que era realizado e no nascimento do Lucas eu não tinha
segurança para negar que fossem realizados, pois não sabia exatamente a função
de cada um deles.
Desta forma tenho a consciência de que posso não conseguir me comunicar
em trabalho de parto. Assim, elaborei este plano de parto, que tentei tornar simples
e fácil de ser lido, para ser assimilado rapidamente e executado da forma como
planejei. Este plano de parto, assim como as pessoas envolvidas no meu parto
serão a minha voz e deixo aqui descritos os procedimentos que NÃO PERMITO que
sejam realizados em MEU corpo e em MEU filho.
2. PESSOAS QUE
PODERÃO ESTAR PRESENTES DURANTE O PARTO, TRABALHO DE PARTO E PÓS-PARTO
- Suzana (minha mãe): ficará responsável pela organização da casa e
comida;
- Cecília (minha sogra): ficará responsável pelo cuidado com Lucas e
Pedro e pelas atividades designadas à minha mãe (caso ela ainda não tenha
chegado de Minas);
- Danylo (marido): ficará responsável pela compra de algo que possa ser
necessário e por ajudar com as crianças. Espero
que ele contribua com carinho, massagem, incentivo, apoio físico e emocional;
- Wanessa (amiga): fará a filmagem e
fotos;
- Andrezza: advogará como doula em
meu favor, caso seja necessário;
- EO Juliana: será meu apoio e
acompanhará a evolução do trabalho de parto até a chegada da EO Tatianne e
realizará os procedimentos necessários para a realização de parto e atendimento
neo-natal caso Tatianne não chegue a tempo;
- EO Tatianne: nos acompanhará na
evolução do TP, parto e primeiros cuidados com a João Davi.
- Pedro e Lucas
(irmãos): terão participação especial no nascimento do João Davi. Terão
circulação livre, conforme for a vontade deles. Somente peço que, caso observem
que ambos estejam me gerando alguma tensão (Lucas subindo em cima de mim, por
exemplo ou brigando com Pedro), que os retirem de perto, o distraiam com
piscina, passeio, livrinhos... Ao Pedro, peço que respondam sinceramente e com
tranquilidade às perguntas que ele fizer, que imagino, serão muitas.
- Pedro: ficará
responsável por realizar as ligações avisando que mamãe está em trabalho de
parto e não consegue falar direito, caso estejamos sozinhos em casa. As
ligações deverão ser realizadas na seguinte ordem:
- Tatianne
(EO Recife): 031 (81) 3043-1663 ou 031 (81) 9766-5123
- Juliana
(EO Maceió): 9178-9600 ou 8843-8820
- Dr.
Antônio Sérgio (GO): 9981-3863 ou 9908-5387 ou 3221-6205
- Danylo
(marido): 9803-4699 ou 3218-7264
- Cecília
(sogra): 8813-3258 ou 9148-2050
- Wanessa
(amiga/filmagem): 9309-8197
- Andrezza
(amiga/doula): 9103-7659 ou 9658-1661
-
Portaria: 3324-4931 (autorizar a entrada de todas as pessoas que estão nesta
lista)
O parto é um evento
em que a mulher necessita de calma e privacidade, nesse sentido espero que
nossas acompanhantes contribuam para garantir este ambiente, resguardando a
nossa privacidade e principalmente, a sensação de tranquilidade do momento.
Minha mãe não está
totalmente convencida de que eu devo ter um PD, porisso ela deve ser convidada
a sair de casa pra dar uma volta, caso ela se sinta constrangida ou ansiosa com
o processo, o que certamente ela vai aceitar de bom grado. Porém, peço que
deixem claro a ela que eu quero que meus filhos participem do processo, caso
queiram. Porisso, ela não deverá insistir para que eles saiam se houver uma
vontade mínima deles em ficar.
2. PLANO DE PARTO
DOMICILIAR
2.1. TRABALHO DE
PARTO E PARTO
Ambiente: nos últimos tempos tenho andado
muito sensível a barulhos, porisso peço que mantenham o ambiente silencioso
(som e, principalmente, televisão desligados). Peço que falem em volume baixo
ou normal (isso especialmente para Pedro e Danylo, que falam muito alto).
Para alívio das
dores: bola de pilates, bolsa de água quente e massagem na lombar funcionaram
bem no último parto. Pode ser que neste também sejam eficientes. Gostaria de
experimentar a piscininha.
Posições e liberdade de movimento durante o TP: Durante o TP
desejo ter liberdade de movimentos e posições que podem ser bastante variáveis,
conforme o que eu estiver sentindo no momento. Não sei se o chuveiro ou a
piscininha me serão confortáveis, mas peço que os ofereça para que eu acene com
a cabeça o SIM ou NÂO, caso esteja com dificuldades para falar.
Realização de toque vaginal: A realização de
toque pode ser um subsídio importante para avaliar o início e progressão do TP,
mas que pode ser incômodo, portanto gostaria que fosse realizado apenas quando
extremamente necessário.
Bebidas e alimentos à vontade: Os alimentos e
bebidas deverão ser proporcionados, quando solicitados. Provavelmente não vou querer comer nada durante
o trabalho de parto, mas pode ser que eu queira tomar suco de laranja ou chá de
hortelã com gengibre (pois foi o que tive vontade nos TPs anteriores). Mas
depois do nascimento estarei esfomeada, porisso peço que a minha mãe ou sogra
deixe algo substancioso e de sal (que poderia ser uma sopa) já preparado para o
pós-parto.
Posição e local para expulsão confortável: tenho duas
posições preferenciais para o expulsivo: (1) deitada com um travesseiro entre
as pernas, abraçada a outro e outro abaixo da cabeça; (2) deitada de costas,
reclinada, sem portanto ficar de cócoras. Estas foram as posições que me
pareceram mais confortáveis nos meus dois últimos partos. Porém, pode ser que
no parto do João Davi esteja mais confortável em outra posição, pode ser que eu
me sinta confortável na piscina, no chuveiro ou em outra posição diferente.
Peço que me lembrem de respirar corretamente, para não respirar como
cachorrinho.
Monitoramento fetal: Desejo que seja realizado o
monitoramento fetal através de BCF, sempre que a equipe considerar necessário
e/ou for solicitado a fim de proporcionar segurança e tranquilidade.
Episiotomia: O procedimento deverá ser realizado apenas
se necessário, no caso de sofrimento fetal ou outra intercorrência grave que
justifique o procedimento e deverá ser acordada comigo.
Assim
que João Davi nascer quero que ele venha para o meu colo para ser amamentado.
Clampeamento do cordão: Apenas depois que parar de pulsar. Assim ele poderá receber oxigênio
pelo cordão umbilical enquanto seu sistema respiratório começa a funcionar.
Placenta: Aguardar a
expulsão espontânea da placenta com auxílio da amamentação.
2.2. ATENDIMENTO
NEONATAL
Desejo
que todos os procedimentos realizados com o João Davi sejam realizados em meu
colo.
Aspiração:
não autorizo que seja feita aspiração nasal e/ou gástrica. Não
quero que seja feita a exploração nasal, oral ou anal por sondas.
Vitamina K: Deverá ser
administrada via oral com o bebê junto da mãe.
Nitrato de prata: Não autorizo o uso de colírio ou nitrato de prata (créde), uma vez
que não tenho sífilis ou gonorréia, o que foi confirmado no meu pré-natal e que estes produtos podem prejudicar a formação do vínculo ou até mesmo
causar conjuntivite química.
Soro glicosado e leite artifical: Não autorizo a
administração de soro glicosado ou leite artificial, peço que seja estimulado
somente o aleitamento, que é o melhor alimento a ser oferecido ao meu filho.
Banho: quero ter o prazer de dar o
primeiro banho do João Davi. Porém, uma limpeza prévia e com delicadeza pode
ser realizada em meu colo.
Visitação à vontade do irmão: Os irmãos terão acesso livre durante o TP, com o auxílio das
acompanhantes. Este acesso ajudará os irmãos a perceberem que o nascimento se
trata de um processo natural e que está tudo bem, que não há ninguém doente,
além de contribuir na aceitação do novo bebê.
3. INTERCORRÊNCIAS
Bolsa rota: se for possível desejo permanecer em casa,
conforme avaliação da EO Tatianne.
Bebê pélvico: se João Davi resolver ficar pélvico no último
minuto do segundo tempo, desejo permanecer em casa para que seja realizado
parto pélvico, conforme avaliação da EO Tatianne.
Mecônio: se houver presença de mecônio, enquanto os
BCFs forem tranquilizadores, desejo permanecer em casa, conforme avaliação da
EO Tatianne.
Distócia: desejo permanecer em casa, caso EO Tatianne se
sinta segura para realizar as manobras para correção de distócia.
TP estacionar: monitorar BCF e se estiver ok, esperar.
Transferência para hospital: caso ocorra alguma intercorrência que justifique a transferência para
hospital, a mesma deverá ser feita para o Hospital da UNIMED, (em caso de
intercorrência simples), ou para o Hospital Universitário (HU), (em caso de
intercorrência que exija maior urgência). Neste caso o Dr. Antônio Sérgio Lima
de Souza deverá ser informado imediatamente para que se prepare para me atender
ou para que comunique alguém do HU que me atenda.
Peço que a EO Tatianne ou EO Juliana (se Tatianne não estiver) sejam
minhas acompanhantes caso haja necessidade de remoção para o hospital. Desejo ter a
Participação de meu marido como acompanhante, como garante a lei federal. Caso
a equipe resista em garantir este direito poderá ser feito um Boletim de
Ocorrência pelo pai.
Em caso de parto normal hospitalar: peço que
meu acompanhante lembre a equipe (caso seja necessário) que o corpo ali
presente é meu e não do hospital e, porisso, as intervenções desnecessárias não
deverão acontecer por simples cumprimento de protocolo do hospital.
Intervenções poderão ocorrer, desde que sejam justificadas, informadas e autorizadas.
Caso não haja nenhuma complicação comigo ou meu filho, peço que deixem
preparado o termo de responsabilidade para que eu o assine para ir embora pra
casa imediatamente após o parto.
Em caso de cesárea:
Desejo ser informada da razão exata por que estarei indo pra cesárea,
com todas as explicações científicas e práticas. Desejo ser informada de cada procedimento
associado à cesárea, além de saber passo a passo o que está acontecendo, nos
permitindo maior tranquilidade e participação no processo. Peço que seja
conferido se a anestesia fez efeito antes de realizar qualquer corte.
Caso
seja necessária uma cesárea, não quero ser sedada, pois quero assistir ao
nascimento por abaixamento dos campos e desejo estar alerta no pós-parto. Após
o nascimento, desejo que, se João Davi estiver bem, seja
colocado em meu peito e que minhas mãos estejam livres para segurá-lo, gostaria
de permanecer com o bebê no contato pele a pele enquanto estiver na sala de
cirurgia sendo costurada.
Atendimento neo-natal: de antemão deixo
claro que o atendimento neonatal deve seguir o item 2.2 deste plano de parto.
Peço que todos os procedimentos a serem realizados com meu filho me sejam
comunicados para que eu possa aceitá-los ou não (mediante assinatura de termo
de responsabilidade). Lembro ao pediatra responsável que o meu filho não é
propriedade do hospital e, portanto, nenhum procedimento deverá ser realizado
sem o meu conhecimento e autorização.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esperamos que este material auxilie e se transforme nas mãos de outros
casais, gestantes, mães e pessoas que se interessem.
Em tempos da ofensiva contestação da autonomia e poder de parir das
mulheres, consideramos o Plano uma ferramenta importante para dialogar e
empoderá-las. Não estamos negando o direito à assistência quando defendemos o
parto natural ou domiciliar, como erroneamente afirmam alguns setores
representativos de classe da saúde, mas sim defendendo o direito da mulher
decidir onde, como e com quem parir, pois o protagonismo é da mulher.
Não menos importante, também queremos garantir o vínculo precoce mãe-bebê,
pois as primeiras horas após o parto são muito importantes no desenvolvimento
da ligação afetiva entre os pais e o bebê.
Nenhum comentário:
Postar um comentário